segunda-feira, 18 de maio de 2009

nós e Eles.

o grande lance é doação, quem se doa perde tudo, perde o corpo e a alma. e junto vai também vergonhas e pudores.
Não me venha com pudores menores de não saber segurar um cigarro e servir uma cerveja.
Quem é do palco nem sempre é puta e nem beata.
Beatas não se trocam sem malícias.
Pra isso tudo, antes de qualquer doação é preciso conhecer-se.
como que se doa algo que nem se sabe o que é?
como se doa o que não se tem?
Vem, vem comigo ver o mundo que a gente faz.
Vem que eu te respondo como é que faz.
Vem, vem comigo que eu te digo; como é ver o mundo sobre o que há além de nós.
Vem, que eu te falo como é e faz bem ser o melhor.
me diz, como que você se sente ai de cima?
me fala, como é encarar caras que não se vê mais.
Me responde como é ser o dono do mundo e ter em si a rotação e a translação de olhares e ouvidos, atentos ao que você faz e diz?
Eu te digo que o frio na barriga é o meu alimento e as palmas ao meu redor o meu prazer.
vem aqui que eu te conto um segredo.
eu tremo as vezes.
eu perco o fôlego.
mas não me entrego.
olho nos seus olhos.
mas certamente não sou eu.
eu confesso.
que apesar de tudo sem eles eu nada sou.
porque o meu gozo é quando deixo a escuridão e renasço em luz.
e no fim, quando eu sozinho, me sento na beira do altar sagrado,
me lembro do som de suas gargalhadas.
é a elas a quem reverencio.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

toda florida de voz macia

Doze badaladas em ponto marcamos.
Na décima segunda eu já estava lá e ela, já mordiscava a boca ansiosa.
Lá vem ela de lindos cabelos negros e soltos, franja presa.
blusa bege e sandalias nos pés.
Lá vem ela e traz o vento consigo.
bate em mim a brisa leve do seu perfume.
Beijo no rosto.
sol forte... doze badaladas passadas e um calor intenso.
Em fim uma sombra imensa no parque.
Outono, faz sol forte e bate um vento de chuva.
além de tudo as folhas caem,
eu gosto do outono,
eu também.
almoçamos.
a mesa de concreto mais parecia mesa de rei com banquetes,
pela boa compania.
uns goles de coca, uns olhares cruzados e muitas ideias ditas.
silêncio.
eu gosto sabia. eu também.
olho pra cima e o sol entra entre as folhagens.
raios fortes de cegar os olhos e ao mesmo tempo em que me cego enchergo,
porque as folhas me sombreiam.
vem cá, eu concordo com você.
tem uma coisa gostosa entre a gente.
tem.
ela tem olhos lindos e um jeito de falar que encanta.
um tom suave e aveludado.
trouxe esse livro aqui.
calendoscópio.
é lindo.
é bom né.
com ela tudo tem um suave sabor doce,
de um poema não escrito.
o negócio é sintonizar olhos e alma.
muito obrigado.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Confesso

tudo o que escrevo é auto biografico.
eu
confesso.
porém, não expressa minhas emoções diretamente.
se é que isso se entende.
mas por meio de fábulas e símbolos.
Nunca fiz confissões.
mas cada página que escrevoteve origem em minhas emoções.
confesso.
dizer simplesmente a qualquer um qualquer coisa, isso não.
talvez seja parte quem sabe de sua vida também.
Por que não há quem viva sem emoções.

me confunde essas fases.

vem que eu to com saudade.
vem vamos logo embora
e não ouse olhar pra trás.
vc sabe que o meu portão la de casa fica sempre aberto, não sabe?
sabe sim que sei.
mas olha só, essa história mal contada de ver a lua, não cola mais.
que os meus olhos já até brilharam por ela, e ela nem pisco pra mim,
nem sei se eles brilham mais.
Lua tem fases e fases ja não me atraem mais.
chega de fases que eu só frase.
mas sem aquelas de fases de quero e não quero.
só queira e não diga mais nada.
vem cá? não me confunde, que eu to bem agora.
vem pra cá aprender a cantar ali no canto.
vem, vamo pra casa, a hora passa e não demora.
você sabe muito bem que ela ainda brilha.
não me pergunta mais e vem logo mais pra perto de mim.
ei, não é assim meu bem.
teu cheiro é bom mas
ainda eu não sei se quero.
me diga aqui sussurando no pé do meu ouvido o que eu
quero ouvir.
pra me fazer desmanchando.
vem traga os seus livros.
que a gente tem muito ainda que aprender.